Vou deixar aqui também o meu parecer sobre o exame nacional de Matemática do 9.º ano. É mais raro resolver este, mas em anos recentes tenho-lhe prestado alguma atenção.
O enunciado do exame pode ser encontrado em:
Os critérios de correcção podem ser encontrados aqui.
Parecer sobre o Exame Nacional de Matemática do 9.º ano
Caderno 1
O primeiro caderno do exame inclui itens que devem ser resolvidos em 35 minutos (com 10 minutos de tolerância), sendo permitida a utilização de calculadora.
O item 1 é de resolução muito simples, bastando conhecer as notações comuns para intervalos. Não se justifica a presença deste item numa prova com uso de calculadora; os alunos do 3.º ciclo aprendem a calcular aproximações de números irracionais como é o caso de $\sqrt{5}$; o uso da calculadora permite obter imediatamente uma aproximação da representação decimal deste número, tornando a questão muito simples.
O item 2 é também muito simples. É dado algum contexto para a questão, mas este acaba por ser irrelevante, visto que o item explica em detalhe o que o aluno deve fazer.
O item 3 é também de dificuldade reduzida. No entanto, não acho que o diagrama de caule-e-folhas representado seja rigoroso, uma vez que não é indicada em parte alguma a ordem de grandeza dos caules e das folhas; resta ao aluno interpretar o diagrama da única forma que permitiria dar uma resposta correcta, vendo os caules como dezenas e as folhas como unidades. Continua a ser uma imprecisão lamentável.
O item 4 é uma aplicação quase imediata das razões trigonométricas, não apresentando, à semelhança dos itens anteriores, grande dificuldade.
O item 5.1 é também imediato.
O item 5.2.1 é uma aplicação imediata do teorema de Pitágoras.
O item 5.2.2 não tem grande dificuldade. O maior obstáculo para o aluno poderá ser a orientação no meio de tantas letras que identificam pontos da figura, mas ultrapassado este obstáculo, trata-se de um problema simples de semelhança de triângulos e de cálculo de um volume simples.
Apreciação geral do caderno 1:
- O caderno 1 tem uma dificuldade geral muito reduzida, especialmente tendo em conta que é resolvido com uso da calculadora. Não havia um único problema que exigisse mais do que a aplicação imediata de factos e conceitos que o aluno deve conhecer.
Caderno 2
O segundo caderno do exame inclui itens que devem ser resolvidos em 55
minutos (com 20 minutos de tolerância), não sendo permitida a utilização de
calculadora.
O item 6.1 é uma questão trivial de probabilidade. Pode induzir em erro alguns alunos que considerem que há 5 hipóteses de escolha, pensando nas sessões de divulgação e não nas salas. Tirando este detalhe, a resposta é imediata.
O item 6.2 é uma questão de probabilidade um pouco mais difícil que a questão anterior; mesmo assim, não deverá ter um grau de dificuldade muito distinto do grau médio de dificuldade dos exercícios treinados pelos alunos em aula. O exercício sugere inclusivamente aos alunos métodos possíveis de resolução, quando estes deveriam ter a sensibilidade necessária para reconhecer o método a usar nesta situação.
O item 7 requer alguma reflexão e algum cuidado na exposição da resposta. Uma vez mais, o grau de dificuldade do exercício é diminuído pelo excesso de indicações no enunciado: é dito que "cada termo da sequência, com excepção do primeiro, tem mais três círculos do que o termo anterior", o que faz com que o aluno não tenha necessidade de identificar este padrão por si mesmo, a partir da figura.
O item 8 é uma questão imediata sobre proporcionalidade inversa.
O item 9 envolve dois passos distintos: o primeiro requer o conhecimento da noção de função e a aplicação da expressão de uma função na determinação das coordenadas de um ponto; o segundo requer apenas o cálculo de uma área simples. Nenhum dos passos apresenta grande dificuldade, mas é necessário interpretar correctamente a figura para reconhecer como proceder na resolução do exercício.
O item 10 é uma questão simples que envolve apenas a resolução de uma equação quadrática que se encontra já escrita na forma que permite uma aplicação imediata da fórmula resolvente.
O item 11 corresponde à resolução de uma inequação linear. Envolve algumas manipulações algébricas, pelo que não é um exercício imediato.
O item 12 é muito simples. Uma das equações do sistema dado corresponde a uma recta horizontal e a outra corresponde a uma translação da recta de equação $y=-x$, facilmente reconhecível.
O item 13 requer apenas a manipulação de uma expressão numérica com potências de expoente negativo, exigindo apenas o conhecimento das regras de operações com potências.
O item 14 é imediato; basta conhecer a fórmula da diferença de quadrados (um dos "casos notáveis" da multiplicação de binómios).
No item 15, a linguagem usada pode causar alguma dificuldade, especialmente para alunos menos habituados a criticar afirmações matemáticas.
O item 16 não é muito difícil, exigindo apenas o conhecimento de alguns factos geométricos simples.
O item 17 é de resolução imediata.
O item 18 padece do mesmo problema que outros itens do exame: poderia ser uma questão "de selecção" com dificuldade apropriada, mas o excesso de indicações diminui bastante o grau de dificuldade do exercício. Poderia simplesmente ser pedido ao aluno que indicasse, justificando, se a afirmação é verdadeira ou falsa.
Apreciação geral do caderno 2:
- À semelhança do que aconteceu com os itens do caderno 1, praticamente não existem exercícios de dificuldade superior no caderno 2. As questões são quase todas de resolução imediata por aplicação de conceitos dados. Nas questões onde o grau de dificuldade poderia ser superior, o excesso de indicações reduz esse grau de dificuldade, tornando-as em questões quase imediatas.